UM TREM, UMA SAUDADE

Frances de Azevedo

Sempre ouvirei ao longe,
Lá onde a estrada de ferro
Verga-se toda numa curva
Que não mais deixa ver
Sombra alguma,
O apito choroso, qual sino plangente,
Da velha locomotiva, colorida, diferente,
Que todo dia eu apanhava
Para dar aula numa vila
Tão pequena geograficamente
Porém, tão grande nos sentimentos
De seus habitantes.

Na chegada, na bucólica plataforma,
Lá estava, enfim, o mesmo grupo a
Me esperar.

Cada dia uma surpresa:
Ora uma cesta com belas frutas,
Noutra um bolo de fubá,
Outra com ovos fresquinhos
Com a gema bem amarelinha.

Ah, saudade, saudade, saudade
Saudade eu trouxe de trem
Quando lá fui pela primeira vez
E nunca mais voltei !!!