O PAI

J.B.Oliveira

O Mestre foi extraordinário em tudo.

Para recrutar, usou o processo pessoal, direto e, ao ouvir seu convite, pessoas deixavam o que quer que estivessem fazendo e o seguiam.

Em treinamento, valeu-se do sistema prático e interativo.

Por três anos transmitiu, vivencialmente, seus ensinos a um pequeno grupo. E o fez de tal maneira, que homens simples, rudes até, afeitos somente à pesca e atividades semelhantes, tornaram-se extraordinários líderes, doutrinadores e mestres. Ou — como ele prometera e predissera — “pescadores de homens”.

Desenvolveu sua comunicação pelo método figurativo, alegórico. E tão ricas, exuberantes e admiráveis foram as figuras que criou — as inigualáveis e inesquecíveis parábolas — que ainda hoje — e em todo mundo — são repetidas com igual ou superior efeito !

Para falar do reino de Deus, usou a figura do grão de mostarda. O ministério da pregação foi simbolizado pelo semeador e suas sementes; a responsabilidade pessoal, pela parábola dos talentos, e ele próprio, pela figura do bom pastor, “que dá Sua vida pelas suas ovelhas”.

Este homem especial, Deus-encarnado — “Verbo que se fez carne e habitou conosco” —quis , um dia, falar do imenso amor de Deus. Do carinho, do afeto, do cuidado e da preocupação do Criador para conosco.

Fiel a seu método, buscou um símbolo que traduzisse todo esse universo de ternura e zelo. Foi encontrá-lo somente na figura do PAI! Narrou, então, uma das mais tocantes alegorias do Evangelho: A PARÁBOLA DO FILHO PRÓDIGO.

Nela, o filho sai garboso, rico, e confiante para aventurar-se no mundo. Dilapida seus bens, arruína sua saúde, aniquila seu organismo por sofrimentos, fome, maus-tratos e humilhações, e volta — um farrapo humano, coberto de andrajos — disposto a ser um mero servo de seu pai. Este, porém (e talvez fosse o único a conseguir isso), reconhece-o de longe. Corre a encontrá-lo. Abraça-o ternamente, beija-lhe a face coberta de lágrimas e ordena que se prepare uma grande festa, “porque este meu filho estava morto e reviveu, tinha se perdido e foi achado !”.

Singela, mas profunda, esta ilustração transmite a exata dimensão da bênção e da responsabilidade de ser PAI.

É o próprio Jesus a apontar que nessa circunstância — mais do que em qualquer outra — refletimos o DEUS-PAI. É quando temos a graça suprema de, assim como Ele, sermos criadores de um novo ser “à nossa imagem e semelhança”.