O DIABO VESTE PRATA . . .

Ana Paula Ruiz

Comecei a ler este livro ontem – estou muito empenhada em terminá-lo antes que o filme chegue aos cinemas… Ele estava na minha biblioteca sem ser tocado desde a Bienal do Livro deste ano.

Nunca contei que tenho mania de livros?

Pois é, tenho uma vasta biblioteca em casa, e adoro comprá-los, mesmo que não consiga ler todos. Só de olhar para tanto conhecimento acumulado nas prateleiras me sinto mais inteligente (risos)! Brincadeira! Leio todos, mesmo que com uma certa demora…

Enfim, voltemos ao livro. Trata-se de uma história onde a chefe de uma famosa revista é um verdadeiro diabo! Que veste Prada, é claro! Se você acha que tem um chefe difícil, leia o livro – nada pode ser pior!

Acho que vai servir de terapia para você sob dois aspectos: em primeiro lugar, para você ter certeza de que sempre pode ser pior, e também para você analisar suas atitudes no trabalho hoje em dia.

O que mais me chama atenção na estagiária que narra o livro – e que sofre todas as pressões “da diaba” - é que ela resolve tudo, sem perguntar.

Perguntar irrita este tipo de chefe, sabia?

Se a chefe a manda buscar algo que ela nem sabe o que é e nem onde está, ela dá um jeito e descobre. E faz, é claro! Sem perguntas, sem questionamentos. Seria o máximo ter um funcionário assim em minha equipe!

Isso me faz lembrar de uma máxima dos Recursos Humanos, que conta a história de um profissional que trabalhava numa empresa há anos como supervisor e viu um recém-chegado e recém-formado conseguir o cargo de gerência da área, pelo qual o supervisor esperava há tanto tempo. Ele entra irritado na sala do chefe e pergunta:

- Por que ele e não eu?

O chefe calmamente pede que ele desça até a banca de frutas que fica em frente à empresa e cote uma dúzia de laranjas. Sem entender nada e mais irritado ainda, o supervisor desce até a banca de frutas e sobe depois de três minutos com a resposta:

- Eles não vendem laranja!

O chefe, mais uma vez com calma, pega o telefone e pede ao novo gerente que venha até a sua sala, o que ocorre imediatamente. Ele faz o mesmo pedido ao funcionário: que desça até a banca de frutas e pergunte quanto custa uma dúzia de laranjas. O gerente desce, e o supervisor entende aquilo cada vez menos.

Depois de três minutos o gerente volta à sala e diz ao chefe:

- Eles não vendem laranja, mas têm uma infinidade de outras opções. O senhor pode substituir as laranjas por acabaxi, maçã, pêra, kiwi, tangerina….

E entrega ao chefe um pequeno papel com todos os preços destas opções.

Calmamente, o chefe pega o papel, agradece e pede ao gerente que deixe a sala.

Ele olha o supervisor com o papel ainda nas mãos e pergunta:

- Respondida a sua pergunta?

As empresas querem pessoas que resolvam, que tenham criatividade e pró-atividade. Pessoas que não passem o dia inteiro paradas, esperando ordens ou cheia de dúvidas.

Resolva!

Aliás, você pode cotar uma dúzia de laranjas naquela banca ali para mim, por favor ?